Dra. Denise Vázquez Algología Intervencionista
Formação continuada · · 9 min de leitura

Medicina regenerativa e dor crônica: o que aprendi no World Congress 2026

Três dias em San Francisco com o painel internacional mais atualizado em PRP, células-tronco, exossomos e ortobiológicos. O mais relevante: novas opções que estão mudando o manejo da dor musculoesquelética crônica.

De 23 a 25 de abril participei do World Congress of Regenerative & Longevity Medicine 2026 em San Francisco, organizado pelo World Institute for Regenerative Medicine (WIRM), pela Latin American Pain Society e pelo New York and New Jersey Pain Medicine Congress. Três dias com pesquisadores e clínicos dos Estados Unidos, Brasil, Suíça, Indonésia, Reino Unido, Colômbia e México apresentando o que está abrindo novas possibilidades no manejo da dor crônica.

Este artigo é um resumo do que mais me entusiasma do que vi, especialmente para os pacientes que vivem com osteoartrite, tendinopatias ou dor musculoesquelética. A medicina regenerativa está amadurecendo rápido e trazendo opções que há poucos anos não existiam na consulta.

Ponto de partida

A medicina regenerativa aplicada à dor está ampliando o que podemos oferecer a um paciente. Mais ferramentas, mais precisão, mais capacidade de adaptar o tratamento a cada caso.

O que é a medicina regenerativa aplicada à dor?

A medicina regenerativa reúne terapias que aproveitam os processos biológicos do próprio corpo para apoiar a reparação dos tecidos. Na dor musculoesquelética, as quatro mais utilizadas são:

  • Plasma rico em plaquetas (PRP): concentrado obtido do próprio sangue do paciente, rico em fatores de crescimento, aplicado de forma guiada por imagem na região afetada. É autólogo —do próprio corpo— e minimamente invasivo.
  • Células-tronco mesenquimais (MSCs): células com capacidade de modular processos de reparação. As mais utilizadas em dor musculoesquelética são as derivadas do tecido adiposo do próprio paciente e as obtidas de fontes específicas como a geleia de Wharton. Aplicadas de forma guiada por imagem.
  • Exossomos: vesículas extracelulares que atuam como mensageiras entre as células. Uma das áreas mais empolgantes discutidas no congresso. Nas palavras do Dr. Timothy Ganey: funcionam como o "e-mail" do corpo entre as células.
  • Ortobiológicos: termo amplo que inclui PRP, medula óssea concentrada, células de tecido adiposo e outros produtos derivados do próprio paciente, aplicados a problemas ortopédicos.

O que há em comum a todas: utilizam recursos biológicos do próprio paciente para apoiar processos naturais de reparação. Não introduzem substâncias estranhas. São procedimentos minimamente invasivos.

PRP na osteoartrite: uma das opções mais sólidas

De todas as sessões do congresso, a que mais conexão tem com a realidade da minha consulta foi a do Dr. Jesús Medina (México) sobre PRP em osteoartrite avançada, com aplicação intra-articular e subcondral. A OA de joelho e quadril é uma das causas mais frequentes de dor crônica em pacientes com mais de 50 anos, e muitos chegam a um ponto em que os anti-inflamatórios perdem o efeito, mas ainda não são candidatos à cirurgia ou preferem adiá-la.

[VALIDAR — A Dra. revisa este parágrafo] É aqui que o PRP tem um papel cada vez mais importante. A literatura mostra de forma consistente que, em pacientes selecionados com OA de joelho, o PRP intra-articular pode contribuir para reduzir a dor e melhorar a função. É uma opção que oferece uma alternativa real para pacientes que antes se sentiam presos entre os medicamentos e a cirurgia.

O que importa

O PRP abre uma janela terapêutica em pacientes com osteoartrite que buscam controlar a dor e manter a função articular dentro de um plano integral, sem passar ainda para a cirurgia.

Tendinopatias: outra área onde o PRP mudou o panorama

A aplicação de PRP em tendinopatias crônicas —epicondilite, tendinopatia aquileia, tendinopatia patelar, manguito rotador— é outra área onde a evidência respaldou uma mudança de prática clínica nos últimos anos. A sessão sobre PRP e biológicos no sistema musculoesquelético, apresentada por equipes brasileiras do Instituto RegenerateDOR, revisou protocolos atualizados com uma mensagem muito alinhada com a minha prática: a qualidade do preparo, a guia por imagem e a indicação correta são o que define o resultado.

O congresso também apresentou avanços em aplicações mais recentes: PRP em fibrose pós-cirurgia, exossomos em dor neuropática, células-tronco em lesões da medula espinhal. Cada uma com pesquisa ativa muito promissora. Essas são as áreas das quais esperamos notícias muito em breve e que provavelmente farão parte da prática habitual nos próximos anos.

Como se decide a melhor opção para cada paciente

A medicina regenerativa funciona porque se adapta a cada caso. A avaliação inclui várias perguntas que orientam a decisão:

Qual é o diagnóstico?

Identificar com precisão qual estrutura está gerando a dor, por meio de exame físico e exames.

O que já foi tentado antes?

O histórico de tratamentos anteriores ajuda a definir o próximo passo mais adequado.

Qual é o grau de acometimento?

A opção terapêutica se ajusta ao estágio da condição.

Quais são os objetivos do paciente?

Reduzir a dor, melhorar a função, adiar a cirurgia, manter a atividade: cada objetivo orienta o plano.

Como se integra ao manejo geral?

A medicina regenerativa se complementa muito bem com reabilitação, manejo postural e outros procedimentos intervencionistas quando necessários.

Quais resultados esperar?

Definir um plano claro, com prazos e expectativas, antes de iniciar o tratamento.

Essa avaliação personalizada é o que distingue uma boa indicação de medicina regenerativa: a ferramenta certa para o paciente certo.

Por que a medicina regenerativa está crescendo

Uma das coisas mais empolgantes do congresso foi ver a trajetória de cada terapia.

O PRP na osteoartrite e nas tendinopatias já tem uma base muito sólida: décadas de uso clínico, estudos controlados e protocolos cada vez mais padronizados. Hoje é uma opção consolidada no manejo da dor.

As terapias com células-tronco e outros derivados celulares —MSCs de tecido adiposo, produtos baseados em geleia de Wharton, ambos discutidos a fundo no congresso— estão abrindo possibilidades terapêuticas significativas em condições musculoesqueléticas. É um dos campos com maior crescimento clínico na atualidade.

Os exossomos representam a fronteira da pesquisa. As sessões do congresso —incluindo a do Dr. Timothy Ganey sobre comunicação intercelular— mostraram uma biologia fascinante e resultados muito promissores. É uma das áreas que mais expectativa gera entre os especialistas em dor.

Como a integro à minha prática

O PRP e as terapias celulares fazem parte das ferramentas que ofereço na consulta para casos selecionados, junto com denervação por radiofrequência, bloqueios guiados por imagem e neuromodulação. A medicina da dor de hoje se trata de combinar a melhor ferramenta para cada paciente.

A importância da formação continuada

A medicina da dor avança rápido. A cada ano há novos protocolos, dispositivos mais precisos e evidências que refinam o que fazemos. Participar de congressos como este —o World Congress of Regenerative & Longevity Medicine, organizado em conjunto com a Latin American Pain Society e respaldado por sociedades dos Estados Unidos— é parte fundamental da minha prática:

  • Conectar com equipes de referência internacional e aprender com a experiência delas.
  • Estar em dia com os avanços e as novas indicações à medida que surgem.
  • Refinar continuamente os protocolos e as técnicas que ofereço aos meus pacientes.

É a forma de garantir que cada paciente que atendo no Centro Médico ABC tenha acesso às opções mais atualizadas que a medicina da dor pode oferecer hoje.

Você está considerando medicina regenerativa para a sua dor?

Se você vive com dor crônica —especialmente osteoartrite, tendinopatias ou dor musculoesquelética— e quer explorar essas opções, o mais útil é começar com uma avaliação:

  • Diagnóstico claro: identificar com precisão a estrutura que gera a dor.
  • Plano personalizado: definir a combinação de tratamentos que melhor se adapta ao seu caso.
  • Expectativas claras: entender o plano completo, os prazos de resposta e os próximos passos.

No Centro Médico ABC, sede Observatorio, avalio cada caso de forma individual e desenho um plano que aproveite as melhores opções disponíveis para você, incluindo PRP, terapias celulares e os procedimentos intervencionistas indicados conforme o seu diagnóstico.

Perguntas frequentes

O PRP é um procedimento doloroso?
A aplicação é realizada com anestesia local e guia por imagem, o que a torna muito bem tolerada. A maioria dos pacientes relata desconforto leve durante o procedimento. Nas primeiras 48-72 horas pode haver inflamação local, o que faz parte do processo biológico e costuma ceder com manejo conservador.
Quanto tempo leva para notar alguma mudança?
O PRP trabalha com a biologia natural do corpo, por isso seus efeitos são progressivos. As mudanças costumam aparecer nas semanas seguintes à aplicação. A avaliação da resposta clínica é feita depois de várias semanas.
É seguro?
Sim. Por ser um produto autólogo —proveniente do próprio paciente— o risco de reação alérgica ao biológico é muito baixo. Os procedimentos na minha consulta são realizados sob guia por imagem e com técnica estéril no Centro Médico ABC, uma das instituições de referência na Cidade do México.
Em que o PRP se diferencia de uma infiltração com corticosteroide?
Trabalham de forma diferente. O corticosteroide atua principalmente como anti-inflamatório. O PRP, por sua vez, aproveita os fatores de crescimento do próprio paciente para apoiar os processos biológicos do tecido. A escolha entre um e outro —ou o uso complementar dentro de um plano— depende do diagnóstico e dos objetivos do paciente.
Para quais condições é mais indicado?
A medicina regenerativa tem seus melhores resultados em condições musculoesqueléticas com um alvo anatômico claro: articulações (osteoartrite), tendões (tendinopatias) e ligamentos. Para outras condições de dor —como fibromialgia ou dor neuropática— o manejo se concentra em estratégias específicas com evidência para essas condições.
Qual é a diferença entre PRP e terapias com células-tronco?
São terapias complementares com biologia distinta. O PRP utiliza um concentrado de plaquetas e fatores de crescimento do próprio sangue do paciente. As terapias com células-tronco mesenquimais (MSCs) utilizam células com capacidade de modular processos de reparação, obtidas do tecido adiposo do próprio paciente ou de fontes específicas como a geleia de Wharton. A escolha —ou a combinação— é decidida em consulta conforme o diagnóstico e os objetivos do paciente.
Quanto custa? Algum seguro cobre?
O custo é definido conforme a articulação, o plano terapêutico e os exames prévios. A cobertura depende da apólice específica de cada paciente. Na consulta de avaliação é entregue informação detalhada de custos e a documentação necessária para gerenciar junto à seguradora.

Escrito por

Dra. Denise Vázquez

Algologista Intervencionista · Centro Médico ABC · CDMX

Especialista em Anestesiologia e Algologia · UNAM · Mestrado em Anestesia Regional e Intervencionismo da Dor guiado por Ecografia, Universidad de Salamanca · EDS Society Core Network of Excellence 2025-2026